BIBLIOTECÁRIO E PAI DOS BURROS

Com a trilha sonora de “Escreveu, não leu, o pai comeu”, homenageamos os bibliotecários, hoje é o dia deles, e registramos o título de Doutor Honoris Causa concedido ontem pela UFSC ao escritor e cineasta catarinense Sylvio Back.

Qual a origem da expressão pai dos burros, com hífen antes do Acordo, para designar o dicionário? Abaixo, o resumo. Quem quiser ouvi-la pode bisbilhotar aqui a partir de 1:40

O pai de todos está em nossa mão, entre o vizinho e o indicador, que têm como vizinhos o mindinho e o polegar, respectivamente.

Hoje é dia do BIBLIOTECÁRIO, palavra que veio do Latim “bibliotecarius”, aquele que cuida dos livros numa biblioteca, do Grego “biblíon”, livro, e “teke”, caixa, recipiente, depósito, estojo, gaveta.

Quem nos informa isso não é nenhum pai de santo ou pai-dégua, mas, sim, o pai dos burros, sinônimo popular de dicionário, como sabem os bibliotecários. Hoje é o dia deles.

 Discotecacinemateca, pinacoteca, gliptoteca (coleção de gravuras) e oploteca (coleção de armas) são palavras primas da biblioteca, aonde você vai em busca de bibliografia, mesmo não sendo um bibliófilo.

O segundo étimo, TEKE, está também em discoteca (para discos), hemeroteca (para jornais, porque “hemero” em Grego indica o que dura um dia apenas), mapoteca (onde se guardam mapas), pinacoteca (onde se guardam obras de arte; “pináks” em Grego é quadro).

Já a primeira parte da palavra “BIBLIOTECÁRIO”, “biblíon”, quer dizer rolo de papiro, livro pequeno, porque era no porto de Biblos, a 42 km de Beirute, que eram embarcadas as cargas de papiro que a Fenícia exportava, principalmente para a Grécia.

Os livros eram escritos em cerâmica e papiro, mas quando os egípcios por birra se recusaram a exportar papiro para Pérgamo, uma importante cidade da Ásia Menor, o rei de Pérgamo determinou que os livros fossem impressos em couro de animais como ovelhas e cabras. E o couro, trabalhado para servir de substituto de papiro, chamou-se pergaminho.

A biblioteca de Pérgamo chegou a ter 200.000 volumes. Depois o pergaminho passou a ser utilizado apenas para capa dos livros e para encaderná-los.

Os bibliotecários cumprem função estratégica na cultura porque o livro é a referência solar da civilização. Seu trabalho é muito reconhecido, sobretudo em escolas e em universidades que se caracterizam pela qualidade do ensino ministrado. (fim)

RYA DE JANEIRO, CARIOCA, FLUMINENSE

RIO DE JANEIRO, CARIOCA, FLUMINENSE

De vez em quando me perguntam isso. Tratei rapidamente do assunto em programa semanal na Rádio Bandnews, Sem Papas na Língua.

Américo Vespúcio, cartógrafo, Gonçalo Coelho e Gaspar de Lemos, hábeis navegadores, não teriam confundido água salgada com água doce. Já tinham descoberto grandes rios, como o São Francisco, e não davam às coisas os nomes que as coisas tinham.

É que no Século XVI, a palavra “ria” designava algo como a Baía da Guanabara, de Gana-Bará ou Gana-Pará, Seio de Mar, na língua dos primeiros habitantes, os índios tamoios. De resto, “ria” está nos dicionários de língua portuguesa desde Bluteau, Morais, Aurélio e, por exemplo, o Houaiss, assim definida: “canal ou braço do mar, que geralmente se presta à navegação, costas onde o mar é raso e os recortes são profundos”.

Quanto ao Estado, ele começou em Arraial do Cabo, com náufragos, não na hoje cidade do Rio, onde um feitor chamado João de Braga ergueu a primeira casa de pedra, chamada “Kari”, branco, e “Oca”, casa de branco. Curiosamente, casa em grego é “oikós” , o que parece coincidência, mas precisamos pesquisar mais. Tanto em Aveiro quanto em Cascais ainda são oferecidos hotéis e residências com vista para a ria.

Quanto a fluminense, habitante do Estado, veio do Latim “flumen”, água que corre, que está em fluvial, de “fluvialis”, mas também em “fluere”, fluir, correr, podendo isso ser água doce, água salgada, sangue, pus etc.