BATEU AS BOTAS


Esta frase, indicando que o sujeito morreu, é uma variante das tradicionais “Esticou as canetas”, “Abotoou o paletó”, “Partiu desta para melhor”.

O curioso, porém, é que se
aplica apenas a morto adulto, do sexo masculino, que tenha o costume de andar de botas ou ao menos calçado.

O sapato tem sido símbolo de qualificação social ao longo de nossa história, tendo partilhado seu prestígio com certas marcas de tênis, em busca dos quais adolescentes delinqüentes chegam a matar.

Provavelmente, bate as botas ao morrer alguém de
certas posses, ao menos remediado. Outros mortos apenas esticam as canelas ou partem desta para melhor. No segundo caso, partem com estilo, fazendo dupla elipse, já que está subentendido que partiram desta para outra vida, que os
comentadores antevêem mais favorável a quem partiu. Dependendo da herança, sua partida é mais favorável a quem
ficou.

As origens da frase residem no bom trato despendido aos
mortos, postos arrumadinhos nos caixões, com paletó
abotoado.

Como, porém, as mulheres passaram a usar roupas
semelhantes às dos homens, também elas podem abotoar o paletó à triste hora de partida.

A pergunta, entretanto,
permanece: triste para quem? Sábios, os latinos cunharam outra frase: “Requiescat in pacem” (descanse em paz). E há um emblema para as cerimônias da morte, o Requiem
(Descanso).

Um dos mais célebres é o de Mozart. Há ainda uma explicação adicional: ao bater as botas em continência, o subordinado se retira. Na morte, bate as botas para o Criador e também se retira…da vida.

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