CARNAVAL: O PRIMEIRO AUTORIZADO

Foi o papa Paulo II quem, no Século XV, redimiu o Carnaval para a Igreja e assim espalhou os festejos por todo o mundo cristão.

Sucedendo ao tio, Pio II, em descarado nepotismo, assumiu o trono de São Pedro, mas não sua homossexualidade, que continuou a exercer nos bastidores e concordou entretanto em levar adiante dois projetos que não cumpriu: combater os turcos e convocar um concílio.

Em vez disso, liberou o Carnaval, palavra que tinha ido do latim “carrus navalis” e agora voltava do italiano “carnevale” disfarçada de penitência na expressão “carne, vale “, adeus, carne, pois a comilança, a luxúria e outros prazeres seriam temporariamente suspensod ao “introitus”, entrada, da “quaresima”, na pronúncia vulgar do clássico “quadragesimam diem” , quadragésimo dia, antes da Páscoa, que resultaria em entrudo e quaresma no português.

Sobrinho de outro pontífice, tornara-se cardeal aos 22 anos. Nascido em Veneza, então matriz do carnaval italiano, usava tantas joias e enfeites de metal que num inverno muito frio morreu de pneumonia.

Seus costumes peculiares, a vivência veneziana e também sua juventude por certo influenciaram sua decisão. (…)

No primeiro Carnaval autorizado pelo papa, proliferaram as alegorias, as comparações, as corridas de corcundas e de anões, os atos de jogar farinha e ovos uns nos outros etc., que perduraram por séculos!

A sátira também teve seu lugar. Rainhas, princesas e outras autoridades eram representadas por célebres beldades, como as prostitutas mais conhecidas e devidamente disfarçadas no meio de mulheres virtuosas, sem excluir os bobos da corte, também misturados a outros bobos, tratados como reis nos desfiles.

Até clérigos se misturavam à multidão vestindo suas roupas litúrgicas de trás pra frente, debochando dos superiores, carregando missais virados, desde que com o rosto devidamente disfarçado por trás de máscaras, pois nos dias seguintes rezariam missas, atenderiam confissões, enfim voltariam a ministrar os sacramentos.

O recurso das máscaras permitiu, como já acontecia em Veneza, que os nobres matassem a vontade de se divertir e se misturassem ao povo. Afinal, uma das coisas que o povo sempre fez melhor do que aqueles que o dominaram foi divertir-se.

Paulo II foi sucedido por Sisto IV, que contratou Michelângelo e fez a Capela Sistina. Foram dois estilos de governar que podemos avaliar pelos respectivos resultados.

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