COVIDAR: NASCE UMA PALAVRA

Adentrou ao português do Brasil o verbo covidar. Seu étimo é “covid”, da sigla Covid-19.

Conjuga-se como cantar. Por enquanto, o modo mais frequente tem sido o pretérito-perfeito: eu covidei, ele/ela covidou, eles/elas covidaram.

Já se usa muito também o particípio “covidado”. “Ele está covidado desde a semana passada, você não soube?”. E o recinto destinado exclusivamente ao tratamento de covidados é o covidário.

A formação de palavras como estas não é planejada. Semelham rios que vão fazendo o próprio caminho. Essas palavras parodiam os versos de Antonio Machado: “falante, não há palavras, as palavras se fazem ao falar”.

O italiano designou “influenza” uma doença que ganharia o mundo pelo francês “grippe”, que nos deu o substantivo gripe e o verbo gripar, com um particípio muito frequente: gripado.

A SARS não nos deu novas palavras, mas a Covid-19 deu.

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